2013: Ano Internacional de Cooperação pela Água

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Quando você acabar de ler esta frase, a Terra terá, pelo menos, dois novos habitantes. Passarão a fazer parte do número que nunca está finito de 7 bilhões e tantos milhões de moradores do planeta. Seremos mais e os recursos naturais continuarão os mesmos. Melhor: serão menores.

 

Porque um segundo (tempo em que, de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), nascem dois novos moradores da Terra) é suficiente para uma árvore ser derrubada, um animal silvestre morto e uma garrafa plástica jogada num rio.

 

Um segundo é o suficiente para o rompimento de uma corrente de cooperação pelo meio ambiente que é essencial na preservação. Especialmente quando o assunto é água – elemento cada vez mais necessário, bem comum da humanidade e, por isso, dependente de todos para continuar existindo. “A água demonstra a forma como lidamos com o território”, resume o especialista em recursos hídricos da Agência Nacional de Águas (ANA), Marco Neves.

 

E é porque lidamos muitas vezes de forma negligente com a água ou guerreamos para conseguir acesso ao recurso, que a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) instituiu 2013 como o Ano Internacional de Cooperação pela Água. Em março, a comemoração ganha mais visibilidade porque na última sexta-feira, dia 22, foi celebrado o Dia Mundial da Água.

 

O coordenador de Ciências Naturais da Unesco no Brasil, Celso Schenkel, explica que a temática vem à tona porque, apesar de o planeta ter muitos recursos hídricos disponíveis, eles estão distribuídos desigualmente. “Isso vem gerando historicamente conflitos de cooperações”, cita. São rios transfronteiriços disputados, aquíferos explorados indiscriminadamente, populações miseráveis por falta de acesso à água. “O ano quer ressaltar exatamente iniciativas de cooperação entre países que mitigam prováveis conflitos”, indica Celso.

 

O professor aposentado da Universidade Federal do Ceará (UFC) Nilson Campos lembra que, por ser um recurso sempre compartilhado, a cooperação é essência no manejo da água. Além disso, o professor, membro do Comitê Brasileiro para o Programa Hidrológico Internacional da Unesco, destaca que a campanha da organização dialoga com os Objetivos do Milênio da ONU. “Um deles é redução da miséria, e você não pode reduzir a miséria sem água”, cita.

 

Água e paz

A campanha quer ainda defender a água como meio de paz. Nilson Campos explica que, mundialmente, como existem recursos hídricos em fronteiras de países, podem ocorrer conflitos. Segundo a Unesco, são 276 bacias hidrográficas transfronteiriças na África, 60 na Ásia, 68 na Europa, 46 na América do Norte e 38 na América do Sul. De acordo com Celso Schenkel, há cerca de 400 acordos de compartilhamento de gestão de águas transfronteiriças em todo o mundo – o que demonstra que é possível ter paz pela água.

 

A ideia de cooperação pela água não se faz presente apenas em um contexto distante de acordos políticos. Cooperar é algo a ser feito por mim e por você no dia a dia. O Ciência & Saúde desta semana aproveita o chamamento que a Unesco faz em 2013 para apresentar iniciativas de cooperação que garantem água e dignidade aos moradores do semiárido cearense e lembrar que todos somos elos da corrente de preservação da água. Agir por isso é essencial.

 

Fonte: O POVO Online.

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